Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Caderno de notas - poemas e pensamentos...


Aos dizeres de não mais.
É simples. O olhar ao entorno, paredes, janelas, flores, vasos, grades e pedras. Falta o ar, por aqui Já se vê o que não se quer. O relógio ao lado marca os minutos restantes de minha vida enquanto um calidoscópio apresenta uma realidade lúdica a se seguir.

Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Quarto 3. Salle des pas perdus

Adoro a porta azul deste quarto. É antiga e rústica, com uma fechadura dourada e fosca pela idade. A vista dele é maravilhosa, a janela lateral da de frente para o jardim que eu nunca cuidei, e mesmo assim é belo. Assim, esse quarto tornou-se um pequeno depósito de pensamentos. Felizes, tristes, ansiosos, sufocantes, perturbadores, dolorosos etc.
Mas adoro esse quarto. É onde eu passo a maior parte do meu tempo quando estou nesta casa.
Bom, entre. Veja como estão as coisas por aqui.

Domingo, 27 de Maio de 2007

Quarto 2. O quarto trancado.

Já começo pedindo desculpas pelo palavreado, e pode se dizer, assim como muitos o fazem, respiram fundo, estufam os pulmões e esvaziam com toda carga negativa, “Lugar Lazarento!”.
É assim que defino esse lugar. Poucas vezes passo por esse quarto, e por esse mesmo motivo, escondo meus piores pertences, ficam eles aqui longes e intocáveis. Uma chave perdida que deixo em algum lugar da casa, porém, sempre insiste em aparecer de repente, e como quem não quer nada, seguro-lhe entre as mãos, aperto com raiva e jogo em um outro canto qualquer. Quando encontrarei a chave outra vez? Não sei, espero que nunca. Ela da acesso a péssimas lembranças. Só não jogo ela no lixo porque convém a todo ser humano que se preze, pelo menos o mínimo possível, o passado, que é a essência de cada indivíduo, por mais que não faça ou tenha feito a diferença muito tempo depois, dará conta esse mesmo ser, que infelizmente certas coisas do passado são necessárias mais tarde para sentar em um banco, debaixo de uma bela árvore, e acompanhado de uma taça de vinho, tomar todo néctar da juventude e afogá-lo com uma deliciosa gargalhada.
Meus amigos, é melhor enfrentar a morte do que enfrentar esse quarto. Seria esse um ato de covardia? Deixar os problemas enterrados e devidamente guardados e vê-los poucas vezes não deixar transparecer as dores nos olhos é um ato nobre. Mas encarar a morte por conta deles, isso sim é um ato de extrema covardia, conformista, porém delicioso. Abdicar de uma existência é triste, mas voltar uma outra vez e ter de fazer as coisas de outra maneira parece-me que isso indica uma pequena luz branca no finalzinho do túnel.
Enfim, esse quarto não me agrada nem um pouco. E agora não mais sóbrio, ainda torna-se difícil bater de cara com esses indesejáveis maltrapilhos empoeirados por esse curto tempo de existência mal vivida.

Sábado, 7 de Abril de 2007

entrando no primeiro quarto da casa - "Procurando o sonho comum."

Como todos dizem, sempre há um alguém e sempre há um lugar no final de tudo. Só esqueceram de nos dizer onde está esse certo alguém, e onde foi parar esse lugar que sempre haverá. “Até agora não encontrei nada!!”, disse um amigo meu. Não ficaria tão triste, também não encontrei nada. E como peregrino, continuamos a andar por aí, buscando em cada sorriso, buscando em cada olhar, a esperança perdida que há tantos nos disseram que certamente encontraríamos, que mudaria nossas vidas, e consequentemente iríamos parar com a caminhada que há muitos estávamos acostumados, e certo apego à vida aventureira e sem parada já era fato consumado mas inconsciente. De nossa parte fica a retribuição companheira. Não podemos dar mais que um sorriso e palavras amigas. Sem delongas, pés rápidos seguem sem determinada direção e sentido. A poeira, a água, as pedras e a terra, já eram conhecidas de tempos. As montanhas, os morros, as planícies, o cerrado, florestas, cidades e vilarejos, guardavam consigo suas belezas particulares que a cada vez que passávamos nos mesmos lugares nunca era igual. E lá morava a esperança. Lá morava o que não nos deixa desistir. A motivação partia dos céus, e não do pão que encontrava-se muitas vezes escasso diante de nossas mãos. A caridade trazia amizade, a amizade acalmava ambos os corações, nossa e da bondosa alma caridosa para conosco. É isso que tenho e sempre tive: um sorriso, poucas palavras, e um agradecimento sincero. Mas isso nem sempre agrada as pessoas. Alguns preferem não ser afável. Não tem problema, não espero mais nada dessas pessoas. É bom nunca esperar algo de alguém.
Amanhã será um novo dia para nós. Essa cidade parece não nos querer aqui por muito tempo. Mas foi bom estar aqui. Pelo menos alguma vez na vida. Encontramos pessoas interessantes. Eu particularmente passei por muitas coisas boas e ruins. Mas para que lembrar das coisas ruins? Deixo essas lembranças em um baú que um dia espero perder a chave. Para que assim no meio de uma nova jornada assim como amanhã, nada disso caia sobre mim.
O futuro começa no amanhã, e a esperança continua sendo motivação. O alguém e o lugar, ainda iremos encontrar. Sinto que está em um futuro não muito distante de nossos olhos. Não sei, mas consigo sentir o vento trazendo boas novas ao nos convidar para o amanhã. O ruim disso é que não sinto mais pela vida o que eu sentia antes. Mas tudo bem, só não sei, mas acho, que ainda não acordei.

Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Os dias não passam...

Se eu escolhesse esse dentre tantos outros momentos, tenhas certeza, seria essa a hora, onde tudo deixaria de ser real, e nada mais me incomodaria.
Se eu escolhesse essa dentre tantas outras oportunidades, tenhas certeza, seria hoje, que eu veria nascer um outro dia, com luz fria e ar úmido.
Seria hoje que eu me abandonaria, seria hoje que eu já não mais lembraria, seria hoje meu dia favorito. Se eu escolhesse esse dentre tantos outros dias, sim, seria esse meu dia, seria esse, o dia da minha despedida.

Terça-feira, 27 de Março de 2007


Absurdos acontecem dentre nós. E o que fazemos? Consentimos e ficamos calados.